OFF: Venâncio Mondlane queima o filme do regime da FRELIMO para o mundo ver…
O político e maior opositor do regime do dia, Venâncio Mondlane, escancarou, hoje, as estratégias delatórias da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) para se manter no topo da pirâmide à custa do sangue do povo. Mas também, apresentou o seu projecto político, ANAMALALA.
Discursando no Oslo Freedom Forum (OFF/Fórum da Liberdade de Oslo), que decorre entre 26 e 28 de Maio, na Noruega, Mondlane debruçou-se, resumidamente, sobre a sua vida. Falou desde o berço familiar, onde lhe imergiu “naturalmente” a causa pela defesa dos oprimidos até o seu ponto mais alto na política, quando concorreu para a presidência do país. Nisto, não poupou as críticas ao regime político vigente no país que, com recurso à força, manipulações e uso de instituições do Estado, se mantém no poder.
Ele disse para o auditório que venceu as eleições presidenciais de 09 de Outubro de 2024.
“Mas o regime que está lá [em Moçambique] há 50 anos, fez exactamente aquilo que estão habituados as fazer sempre. Eles roubam os votos, manipulam os resultados para trocar a verdade pela mentira, e contra as pessoas que se levantam, eles atacam os civis, usam a força que impõem pelas forças armadas” disse, notando que isso não foi uma excepção até porque “acontece desde os últimos 30 anos.”
De acordo com Mondlane, o regime em Moçambique exerce a sua dominância sobre o sistema eleitoral e o de justiça, tendo o exército ao serviço de um partido e não da Nação.
Arrolando essas acções pela intolerância à alteração do poder, recordou que, a 18 de Outubro de 2024, quando constituíam as provas da fraude eleitoral para submeter às instâncias de justiça, o seu advogado, Elvino Dias, e o mandatário do Partido Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique, Paulo Guambe, foram assassinados.
Conforme referiu, a situação alterou “por completo” o rumo da sua vida e a do país, levando a uma sequência de manifestações.
“Naquele dia, decidi convocar, para os dois dias seguintes, uma manifestação nacional, não só por causa do Elvino e Paulo Guambe, mas por causa das centenas de vítimas que tinham sido silenciadas sem-justiça” disse.
Ele explicou que no dia (21) do início das manifestações “foi o início de uma era sangrenta, porque também vieram atrás de mim. Sofri nesse dia, o quarto atentado contra a minha vida”.
Revelou que, obrigatoriamente, exilou-se do país por três meses. “Mas o povo levantou-se, foi para as ruas, manifestou-se, e eles usaram uma brutalidade jamais vista contra o povo”.
Conforme afirmou, em resultados dos clamores pelos seus direitos, verdade eleitoral, dignidade, 400 pessoas foram assassinadas.
“Alguma delas foram encontradas nas valas comuns. Cerca de duas mil pessoas foram feridas, e até hoje, muitas delas têm balas no seu corpo. Temos cerca e quatro mil pessoas detidas nas cadeias como verdadeiros prisioneiros políticos, incluindo a minha mandatária financeira, Glória Nobre, que já é de idade [avançada] e está doente” arrolou as mazelas das manifestações.
“Então é isto que temos: o nosso país está a sangrar, a gritar e de luto” rematou.
Mondlane revelou que foi da FRELIMO durante sua juventude e que, mercê da sua proximidade com o partido – até porque seu pai foi membro sénior do partido –, percebeu que a agenda da formação política era o empobrecimento da população.
“Neste momento [a FRELIMO] tornou-se numa organização criminosa. Tem várias oligarquias do crime: de tráfico de armas, de drogas, de madeira, de raptos, sequestros, de pessoas, prostituição infantil, e tráfico de órgão humanos” enumerou as questões que o levaram a desvincular-se do partido e aliar-se aos mais fracos e vulneráveis.
O projecto político
Mondlane introduziu este capítulo solicitando o apoio dos presentes para tornar Moçambique numa Nação mais democrática.
Ele adiantou que o projecto ANAMALALA ainda carece de aprovação da justiça, mas notou: “até agora é a única voz que resiste ao regime opressor”. Conforme disse, o regime abocanhou as instituições do Estado, a imprensa e até os partidos políticos da oposição.
“Então, este ANAMALALA é um projecto de esperança” disse, e explicou o significado da expressão na língua moçambicana Emákhuwa.

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