Arlindo Chissale: um ano de mistério e dúvidas sobre o seu paradeiro
Cumpre‑se esta quarta‑feira, 7 de janeiro de 2026, um ano desde que o jornalista e activista moçambicano Arlindo Chissale desapareceu na província de Cabo Delgado, entre uma série de lacunas de informação, silêncios oficiais e um profundo sentimento de abandono por parte do Estado e das autoridades competentes.
Chissale, editor da plataforma Pinnacle News e figura conhecida pelo seu trabalho de cobertura do conflito em Cabo Delgado e por posições políticas críticas, não é visto desde 7 de Janeiro de 2025. Testemunhas contaram à família que o jornalista foi interrompido numa viagem de autocarro no cruzamento de Silva Macua, agredido e levado por um grupo de homens, alguns dos quais alegadamente vestidos com uniformes das forças de segurança. Desde então, o seu paradeiro permanece desconhecido.
Ao longo de doze meses, nenhuma explicação oficial convincente foi dada sobre o destino de Chissale. A família apresentou queixa formal às autoridades em Pemba, mas não obteve esclarecimentos públicos sobre uma investigação eficaz ou resultados concretos até hoje.
Organizações de defesa da liberdade de imprensa, como o Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ) e o MISA Moçambique, têm exigido respostas credíveis sobre o que aconteceu ao jornalista e apelado às autoridades para conduzirem investigações completas, independentes e transparentes. Estas entidades sublinharam que o desaparecimento de Chissale se insere num contexto mais amplo de riscos graves para jornalistas no país, incluindo casos antigos não esclarecidos, como o desaparecimento do radialista Ibraimo Abú Mbaruco em 2020.
A ausência de progressos e a falta de comunicação clara por parte das autoridades alimentam suspeitas e críticas. Para muitos observadores, o caso expõe fragilidades profundas nas respostas estatais a casos de desaparecimento forçado e levanta questões sobre a protecção de profissionais dos meios de comunicação social em zonas de conflito ou instabilidade.
No plano institucional, o Município de Nacala, onde Chissale era funcionário afecto aos quadros do Estado, foi duramente criticado pela família por não oferecer apoio social, psicológico ou financeiro aos seus entes queridos durante este ano de espera angustiante, gerando acusações de abandono emocional e burocrático.
A própria família tem afirmado que só tomou conhecimento de eventuais promessas de apoio através dos meios de comunicação social incluindo um anúncio de apoio financeiro por parte de um partido político sem qualquer contacto formal ou assistência concreta até ao momento.
À medida que se completa um ano sobre o desaparecimento de Arlindo Chissale, a pergunta que paira tanto sobre a sociedade moçambicana como sobre organismos internacionais continua a ser a mesma: onde está Arlindo Chissale e o que realmente lhe aconteceu? Até ao fecho desta edição, continua a não haver respostas oficiais que satisfaçam a família ou a comunidade jornalística, reforçando o sentido de injustiça e o apelo por verdade, transparência e responsabilização.

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