Um ano depois os responsáveis pelo assassinato do Dias e Guambe continuam no “segredo dos deuses”
Passam hoje um ano após assassinato macabro do advogado, Elvino Dias e do activista politico Paulo Guambe, entretanto, os autores do crime continuam no “segredo dos deuses”.
O Serviço de Investigação Criminal contínua sem pistas dos autores do crime cometido precisamente num dia como hoje, 19 de Outubro de 2024. Aliás, há quem diz que falta mesmo vontade por parte das autoridades em esclarecer o crime.
Em uma entrevista concedida a DW o criminologista José Capassura diz não ter dúvida de que a Procuradoria-Geral da República (PGR) poderá arquivar os autos do assassinato de Elvino Dias e Paulo Guambe, justificando que a PGR poderá alegar a falta de provas para encontrar os assassinos dos dois cidadãos.
“Não porque não existam – até porque as armas utilizadas já traduzem estes elementos e, acima de tudo, os vestígios que foram deixados no local do fato já são suficientes para construir a ponte entre o crime e os respetivos agentes”, disse.
Este apontou ainda a existência de câmaras de videovigilância no local, que podiam ter esclarecido o crime em pouco tempo, caso houvesse vontade.
“As câmaras de segurança não podem simplesmente parar de funcionar de forma conveniente. Quando se trata de descobrir a verdade material, elas não funcionam. Mas, noutras ocasiões -como para identificar se não há qualquer tipo de ligação com a polícia -, então funcionam. Há, portanto, um grande paradoxo”, criticou.
O jornalista e analista Alexandre Chiure lembra que existe um laboratório da criminalística devidamente equipada que já poderia ter esclarecido o duplo assassinato em tempo útil.
Na altura do assassinato de Elvino Dias, a polícia alegou razões passionais – o que foi duramente criticado pelos diversos círculos sociais de Moçambique.
Feriado nacional…
A associação portuguesa ProPública lamentou este sábado a falta de responsabilização do homicídio do advogado moçambicano Elvino Dias, que vitimou, em Maputo, também Paulo Guambe – ambos então apoiantes do candidato presidencial Venâncio Mondlane.
A Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM) anunciou uma concentração para esta segunda-feira no local do homicídio do advogado Dias, em Outubro de 2024, seguindo-se um debate em memória do defensor.
Ontem, por ocasião do primeiro aniversário da morte de Elvino Dias, realizou-se no Cemitério de Michafutene a cerimónia de deposição de flores em homenagem à vida e à obra do advogado do povo, Elvino Dias.
O acto conta com a presença da viúva, filhos, familiares, amigos, colegas admiradores, membros, simpatizantes e o Presidente do Anamola Venâncio Mondlane que juntos prestam tributo à memória de um homem que dedicou a sua vida à justiça, à verdade e à defesa dos mais desfavorecidos.
Ainda na senda das celebrações da morte do Elvino Dias e Paulo Guambe, o líder interino do ANAMOLA, Venâncio Mondlane, decretou 19 de Outubro como feriado nacional. Sendo hoje, Domingo, o mesmo passou para esta segunda-feira, 20.
O líder político acrescentou que a data marcará a celebração de um ano de um “grande herói que vivia aqui convosco” e que nesse dia o país ficará paralisado: “Dia 19 vamos paralisar Moçambique de Norte a Sul, do este ao oeste, ninguém trabalha nesse dia, todo mundo deve ficar em casa”, disse.

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